As várias camadas da alteração dos hábitos alimentares

Do que eu tenho observado nestes últimos anos, existem várias etapas durante o processo de alteração da alimentação. Eu gosto de chama-las de camadas e faço a comparação com as folhas das cebolas ou da couve, á medida que vamos abrindo, vamos notando alterações na nossa consciência e na percepção do mundo que nos rodeia.

  1. Deixar de consumir alimentos processados – aqui entram os doces industriais e de pastelaria, batatas fritas e outros salgados, sumos e refrigerantes. Para muita gente, pode ser um objectivo ambicioso de deixar de beber Coca-Cola, por exemplo. Ou para as crianças (há tantas que comem muita “junk-food”, até doi na alma), deixarem de comer as bolachas (Maria ou Oreo são todas processadas), os sumos, os bolicaos, os Mc´Donalds etc.
  2. Diminuir o consumo de carne e das porções em geral – infelizmente ainda há muita gente em Portugal e na Roménia, são os países que conheço, que consomem carne 3 vezes por dia, todos os dias. Fiambre ao pequeno almoço ou ao lanche, carne novamente ao almoço e ao jantar. Porque sim, o bom português gosta de jantar de faca e garfo ao jantar e muitas vezes a horas muito tardias. Quando as pessoas começam a informarem-se dos malefícios para a nossa saúde e para o nosso planeta, reduzem a quantidade de comida no prato e também introduzem um dia por semana de jantar vegetariano. Depois essa refeição vegetariana tem a tendência de se duplicar, triplicar e assim adiante até que uma pessoa consegue reduzir o consumo de carne a apenas 2 ou 3 vezes/semana ( uma grande diferença para quem comia todos os dias várias vezes ao dia, temos de admitir).
  3. Retirar por completo a carne e o peixe.  Aqui temos várias vertentes, entre as quais os ovo-lacto-vegetarianos que não comem carne, nem peixe, mas ainda consomem os ovos, leites, iogurtes, queijos, mel; os vegetarianos que não comem nem carne, nem peixe, nem os produtos da criação deles; os vegan que para além dos vegetarianos não usam de todo produtos de origem animal no dia a dia (ex. calçado ou acessórios em pele, produtos de higiene e limpeza testados nos animais etc). Atenção que ser vegetariano não quer dizer necessariamente saudável, conseguem-se comer na mesma bolos e fritos, embora os vegetarianos tendem a ser pessoas muito mais informadas / pesquisam mais do que as pessoas que comem de tudo. As razões são principalmente éticas (eu também me identifico com elas, embora ainda esteja em processo de transição) : o direito igual á vida de todos os seres do planeta. Eu acredito que o ser humano não é omnívoro como somos ensinados há muitos anos, nem somos superiores ou mais inteligentes do que os outros animais, mas apenas diferentes. E não precisamos de matar outro ser(animal, por acaso) para sobreviver, não estamos numa situação de vida ou morte no nosso dia a dia para o fazer. Quantos de vocês em criança tiveram um momento de confusão/rejeição/algo não bate certo, tal como eu, quando descobriram que comemos os animais que os nossos avos criaram?
  4. Alimentação Macrobiótica – é uma alimentação e um estilo de vida de origem japonesa ( George Oshawa trouxe ao ocidente esta filosofia de vida), que se baseia nos principios yin-yang (conceito da dualidade que existe no universo : bem-mal, masculino-feminino, preto-branco, doce-salgado, noite-dia etc.) e que consideram que os alimentos mais equilibrado são os cereais integrais, sendo esses os predominantes. Também se consomem alimentos não processados e legumes e fruta da época e locais, pois acreditam que o nosso corpo está adaptado ao ambiente onde está inserido e são esses os alimentos que lhe são benéficos. Podem consumir peixe ou carne (especialmente nos países do norte), normalmente para substituir usam as leguminosas ou o tofu, seitan, tempeh etc. Há ingredientes típicos como o Misu, as algas, ameixa Umeboxi, arroz integral, millet. Eu própria tirei alguns cursos de Macrobiótica e cozinhei várias vezes em casa assim, das comidas cozinhadas é esta com a qual mais me identifico actualmente.
  5. Retirar o gluten – hoje em dia fala-se muito das doenças celiácas ou simplesmente de intolerâncias ao gluten. A melhor maneira de sabermos, é retirar por algumas semanas o pão ( se já retiramos o consumo de bolos e bolachas) e ver o resultado : o inchaço abdominal desaparece – ficamos com a barriga lisa e o transito torna-se mais regular são das principais mudanças que eu também já experimentei em mim.
  6. Consumir fruta e vegetais em estado cru em várias proporções, desde 50 até 80- 90%, na fase de transição com algumas gorduras, pouco sal e alguns alimentos cozinhados (batatas, arroz, legumes). O nosso corpo gasta imensa energia com a digestão e quanto mais leve e no seu estado natural esta for, mais energia sobra para refazer tecidos, células etc. Os testemunhos de pessoas que têm este tipo de alimentação são de estados de maior bem estar, energia, boa disposição e clareza mental. É aqui que eu me enquadro e embora esteja ainda em fase de transição, tive a oportunidade de viver na minha própria pele o tal estado de bem com tudo. A partir desta camada, conheço várias pessoas, na Roménia, em Portugal e no mundo que fazem vida muito mais saudável e consciente, são elas a minha inspiração.
  7. Alimentação crudívora a 100% – apenas fruta e vegetais em estado natural, cru sem gorduras ou sal. Ainda ontem li o artigo de uma amiga minha que celebrava os 5 meses de alimentação crua. Se quiserem espreitar, podem ler no blog dela aqui.
  8. Alimentação frugivora a 100% – apenas fruta crua. Conheço uma pessoa que tem este tipo de alimentação há anos, romeno e músico, compositor de jazz que mudou a vida para os Trópicos para garantir a ingestão de frutas de qualidade.
  9. Agua e ar puro – há quem afirme que é possível viver só com água e que há alguns monges no Tibet a conseguir fazer isso. O nível energético do corpo deles é tão alto que se conseguem “alimentar só com energia”. Aqui enquadra-se o jejum com água, que é um processo de limpeza poderoso, obviamente não é qualquer um que o consegue fazer, mas pode ser feito por 1 dia e há quem o consiga fazer por uma semana!

Se quisermos embarcar neste processo, em primeiro lugar temos de ter paciência connosco, sobretudo nos períodos de transição, a eliminação de certos alimentos muitas vezes se traduz em eliminação emocional, temos de fazer tudo por etapas si confiar em nós próprios que vamos chegar onde nos propusemos.

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Autor: rawgabriela

Mãe de 2 filhos lindos a iniciar, em família, com calma, a sua viagem na alimentação saudável.

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